sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Opinião - "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen


Ontem de manhã acabei de ler Orgulho e Preconceito. Desde que cheguei mais ou menos a meio do livro que sentia que precisava de falar sobre ele, mas agora estou um bocadinho perdida. Como tal, é bem provável que esta publicação seja um bocado estranha, porque simplesmente não sei bem como me expressar :\ 

Vou começar por dizer que gostei do livro, até mais do que estava à espera. Li-o (muito) lentamente, e quanto mais me aproximava do fim, mais pena tinha de o ver acabar. Agora que acabou, estou tentada a ver uma adaptação cinematográfica, mas ao mesmo tempo tenho receio que venha estragar o mundo criado pelo livro.

Diverti-me bastante durante esta leitura. Achei que as personagens estavam bem caracterizadas, e que as suas personalidades estavam muito bem marcadas. Dei por mim a revirar os olhos e a ficar irritada cada ver que algumas personagens apareciam. 

Mas o que mais gostei foi de ver a maneira ardilosa com que a autora criticou alguns costumes sociais da época, mas de forma tão bem disfarçada. Adorei principalmente toda a ironia nos diálogos entre Mr. e Mrs. Bennet. 

Quando terminei esta leitura tive pena de nunca lhe ter dado uma oportunidade antes, mas após uma pequena reflexão fiquei feliz de o ter lido agora, porque se fosse mais nova certamente não tiraria tanto prazer e divertimento, nem teria entendido várias coisas nesta obra. Tenho a certeza que quando o reler daqui a uns anos, muito mais proveito tirarei dele, e provavelmente mais ensinamentos também.

Pode não ser um livro grande (eu tenho uma paixão especial por calhamaços), mas é um grande livro.




E vocês, já leram ou viram alguma adaptação de Orgulho e Preconceito? Se sim, o que acharam?

Beijinhos e boas leituras,




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Desafios literários para 2016 - Carolina

Aproveitando que ainda estamos no início do ano, hoje venho apresentar-vos alguns desafios a que me propus cumprir no ano de 2016! :)

Em primeiro lugar, tal como em 2015, estabeleci a meta de ler 50 livros por ano no Goodreads, no entanto não é algo que me sinta necessariamente pressionada a cumprir, na verdade serve mais como incentivo e para ajudar a manter o ritmo (há algo de reconfortante em ler aquele “you’re on track”)!


Neste novo ano quero ter a liberdade de ler o que me apetecer, sem medos de pegar em calhamaços, clássicos ou livros mais lentos, afinal partilho da opinião que um livro fantástico vale por cem razoáveis e por vezes é inevitável ponderarmos começar um livro fora da nossa zona de conforto por exigir mais do nosso tempo e atenção... 


O que me leva ao próximo desafio: ler um clássico por mês



Por mais que possam ter a conotação de "pesados" ou "complicados", considero que os clássicos apenas são designados como tal quando têm um enorme mérito, são aquelas obras icónicas, que para além de transcenderem o tempo e conquistarem várias gerações, muitas vezes tratam temas relevantes para os dias atuais, permitindo também que nos contextualizemos no período em que se situam.

Dos poucos clássicos que li até hoje, apaixonei-me por cada um deles e definitivamente tenho vontade de ler mais do que seria possível num ano, contudo deixo aqui uma lista dos livros aos quais darei prioridade por já despertarem a minha curiosidade há muito tempo:

  • Não matem a cotovia/ Mataram a cotovia – Harper Lee
  • Rebecca – Daphne du Maurier
  • O doador de memórias – Lois Lowry
  • Mil novecentos e oitenta e quatro / 1984 – George Orwell
  • O Deus das Moscas – William Golding
  • O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
  • Jane Eyre – Charlotte Bronte
  • Os irmãos Karamazov - Dostoievski
  • Crime e Castigo – Fiodor Dostoievski
  • Lolita – Vladimir Nabokov
  • I Capture the Castle – Dodie Smith
  • O Monte dos Vendavais – Emily Bronte
  • A Sangue Frio – Truman Capote
  • A Tree Grows in Brooklyn – Betty Smith
  • Laranja Mecânica – Anthony Burgess
  • Anna Karenina – Tolstoy


Estou ainda a participar no projeto “Um ano com Agatha Christie” no grupo do Goodreads, no qual haverá a leitura conjunta de um dos livros da autora em cada mês. Apesar de só ter lido dois livros de sua autoria, Agatha Christie já é uma escritora que admiro imenso pela sua vasta obra e pela sua genialidade, pelo que estou bastante ansiosa por começar a conhecer mais do seu trabalho.

E o último objetivo para 2016 é: concluir mais séries, quer já as tenha começado ou não. 
Admito que vivo um dilema com séries, pois por mais que goste do primeiro livro, é sempre muito difícil para mim prosseguir com o seguinte pelo facto de saber que vou permanecer no mesmo mundo com as mesmas personagens (quando há tantas outras que quero descobrir), mas ao mesmo tempo sei o quanto essa experiência pode ser recompensadora…

Embora não tenha interesse em saber o desfecho de algumas histórias por vários motivos (To All the Boys I’ve Loved Before, de Jenny Han; If I Stay, de Gayle Forman; Me Before You, de Jojo Moyes), reconheço que há séries que realmente tenho curiosidade em acabar (Shatter Me, de Tahereh Mafi; Throne of Glass, de Sarah J. Maas; You, de Caroline Kepnes).

E são estes os meus principais objetivos literários de 2016, quais são os vossos? 
Bjs :)



Passeio de Sábado

Este sábado fiz uma coisa que não tinha oportunidade de fazer há muito tempo: fui passear. 

Fui ao Chiado, e nem ia com intenção de ver livros, era mesmo só para apanhar ar. Mas depois entrei na Bertrand velhinha (é a livraria mais antiga do mundo em funcionamento, abriu em 1732) e assim que comecei a ver e cheirar os nossos amigos de papel, as minhas boas intenções começaram a ser postas à prova.

E foi então que vi a Feira dos Alfarrabistas pelas janelas da livraria. E nesse momento as tais boas intenções pareciam o Titanic. Claro que acabei de ver a livraria, e a seguir fui ver a feira. E depois todas as livrarias da zona que consegui encontrar. E depois de novo a feira. 

Deixo desde já um agradecimento grande à pessoa que me acompanhou, que é quem acaba por ir quase sempre passar horas a ver livros comigo, e mesmo depois de tanta voltinha por feiras e livrarias ao longo dos anos, não me apressa. E nem lê muito.

No final da tarde comprei um livro (não ter dinheiro para gastar ajuda bastante a controlar as vontades). Está em perfeito estado, como se tivesse acabado de sair de uma livraria. O seu antigo dono tomou bem conta dele, e agora é a minha vez :D 


(Livraria Bertrand na Rua Garrett)






E este é o primeiro livro que comprei este ano. Só que em vez dos 19,90€ que ele custa normalmente, paguei 5€. E está perfeitinho, não tem cantos dobrados, nada de partes amassadas.

A feira dos alfarrabistas do Chiado decorre todos os sábados, das 10h00 às 17h00, na Rua Anchieta.






Beijinhos e até à proxima

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Opinião - "Eleanor & Park", de Rainbow Rowell


Sinopse:


Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.

Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.



Opinião:


Devo começar por dizer que, sendo um livro extremamente comentado e promovido por tantas pessoas, foi inevitável posicionar Eleanor & Park naquele grupo de livros que já tinha a certeza que seria espetacular mesmo antes de o ler.
Uma capa subtil, mas que acaba por transmitir uma conexão silenciosa entre os personagens, uma sinopse promissora e uma autora cujo primeiro livro que li se tornou facilmente num dos meus favoritos… Não poderia estar mais preparada para começar a sentir todas as emoções e tornar-me parte do clube de fãs deste livro, o que infelizmente não aconteceu.
Eleanor, uma rapariga de 16 anos, é a filha mais velha de uma família problemática e após um longo período longe de casa volta a morar com os quatro irmãos, a mãe e o padrasto abusivo, ao qual a mãe é completamente submissa.
Já Park, um rapaz de 16 anos de descendência coreana, tem uma família bem estruturada e pais apaixonados, cuja relação ele almeja para si. Apesar das suas características diferenciadoras, Park procura passar despercebido e acaba também por ganhar uma certa imunidade a ameaças ou perturbação pelo facto de, desde criança, ser vizinho do bully do autocarro e por ter namorado, quando mais novo, com a rapariga mais popular da escola.
Quando Eleanor entra no autocarro escolar para o primeiro dia de aulas, encontra-se perante uma extensão da sua vida em casa quando as pessoas observam com reprovação a sua aparência contrastante de cabelo ruivo vivo, caracóis indomáveis e roupas masculinas incompatíveis. Ao procurar bancos vagos para se sentar, os olhares incriminadores passam a ignorar a presença de Eleanor, deixando-a à mercê da sua própria sorte na busca de um assento. Acontece que Park é o único que tem um lugar livre ao seu lado e apesar de não querer que Eleanor se aproxime, por achá-la esquisita e por saber que ela chamaria atenção para si, acaba por aceitar, contrariado, que ela se sente.


Ao início comecei por gostar muito do livro, achei Eleanor uma personagem bem caracterizada e forte, apesar da sua situação. Contudo, com o desenvolver da história, a verdade é que Eleanor revelou-se demasiado dramática e fiquei um pouco surpresa em relação a algumas das suas atitudes, sendo uma delas chamar Park de “estúpido miúdo asiático” tantas vezes que chegou a tornar-se desagradavelmente rude… Esperar-se-ia que uma rapariga com quem implicam tanto fosse um pouco menos preconceituosa e acho que isso prejudicou toda a imagem que tinha de Eleanor, pois a partir daí já não consegui identificar-me com ela. Além disso, creio que tudo era sempre convenientemente mau em excesso para Eleanor, pois por mais personagens que estivessem ao seu lado, personagens essas que numa situação de vida real em plenos anos 80 também estariam sujeitas a algum preconceito ou encontrariam alguns obstáculos ao longo do percurso escolar, aparentemente tinham um quotidiano tranquilíssimo e era apenas e exclusivamente a Eleanor que todos escolhiam incomodar.

Já em relação a Park aconteceu o contrário, comecei por achá-lo áspero demais, no entanto consegui desenvolver alguma empatia para com ele ao longo do livro, compreendendo a sua posição e as suas dúvidas, tanto por ser diferente, por querer continuar naquela linha entre o popular e o alvo de bullying e por não saber como começar a falar com Eleanor. Tal como acontece com muitas pessoas, Park tem uma vida considerada normal no seio de uma família feliz, contudo isso não significa que não tenha as suas próprias batalhas e anseios.

Considerando como se desenvolveu o romance, devo dizer que não me convenceu. Os personagens principais antipatizam-se, até que Park, na sua rotina de ignorar Eleanor e o mundo (autocarro) à sua volta, repara que a sua vizinha lê disfarçadamente as suas bandas desenhadas e decide emprestar-lhas. Eles mal se falam, praticamente não conhecem a história um do outro, não se chega a notar uma atração entre ambos, mas Park decide dar as mãos a Eleanor e dizer-lhe que a ama. Assim, surgem alguns clichês na história – como um não respirar na ausência do outro – o que não me incomodaria de todo, se o romance fosse credível!
Outro ponto menos positivo foi o facto de a autora ter abordado demasiados temas de uma só vez – amizade, família, solidão, exclusão, abandono, amor, raça, género – sendo que todos acabaram por ser mobilizados com alguma superficialidade. O padrasto é abusivo e basicamente ficamos por aqui, as amigas de Eleanor são negras, mas ninguém implica com elas e são citadas de uma maneira muito simplista, a mãe negligencia os filhos para não criar conflitos com o marido e não chegamos a ver essa questão verdadeiramente bem desenvolvida. Desta forma, é possível concluir que a maioria desses assuntos é mencionada e posteriormente abandonada como algo natural, não sendo possível identificar uma autêntica crítica a cada um deles.
Passando, finalmente, aos pontos positivos do livro, devo dizer que apreciei o facto de ser constituído por pontos de vista alternados, o que nos dá acesso aos pensamentos de ambos os personagens e nos permite conhecê-los melhor através das suas diferentes perspetivas. Também gostei muito da família de Park, pois retrata muito bem como as relações familiares não são isentas de alguns conflitos, mas que estes eventualmente são resolvidos devido ao amor ser superior a tudo o resto.



Ao contrário de várias pessoas, admito que adorei a forma como o livro acabou. Sim, é um final subjectivo que deixa algumas questões por esclarecer, mas questões que não haviam sido respondidas ao longo de todo o livro apesar das oportunidades que a autora teve de o fazer e que, portanto, também já não tinha a ilusão que fossem tratadas nas últimas páginas. Um final que não esperava e que finalmente me ofereceu algumas das coisas pelas quais esperava desde o início da leitura, originalidade e um derreter do coração.




Tendo em conta tudo o que referi, concluo que este é um livro que acabou por me desiludir em alguns aspectos, principalmente por se revelar muito semelhante a tantos outros do género, mas que nem por isso deixa de ser um livro relativamente bom, especialmente pela mensagem que transmite – não devemos limitar-nos a julgar as pessoas com base no seu exterior, mas antes procurar conhecer a sua essência, pois podemos descobrir nelas alguém que não sabíamos que se tornaria num grande amigo ou até, quem sabe, num verdadeiro amor.


Citação favorita:





Um ótimo ano novo cheio de boas leituras para todos! :)
















Fonte da sinopse: http://www.wook.pt/ficha/eleanor-park/a/id/16113063

sábado, 2 de janeiro de 2016

Opinião - "O Terceiro Gémeo", de Ken Follett




Sinopse:

A cientista Jeannie Ferrami, especialista em gémeos e nos componentes genéticos da agressão, faz uma descoberta espantosa. Recorrendo a um banco de dados do FBI, descobre dois homens que parecem ser gémeos verdadeiros: Steve, estudante de direito, e Dennis, assassino condenado. No entanto, nasceram em dias diferentes, de mães distintas, em hospitais separados por centenas de quilómetros. 

Que segredo terá ela desvendado? Poderá confiar no seu chefe e mentor, ou terá de pôr a sua vida nas mãos de Steve Logan, o gémeo por quem se apaixona, apesar de ele estar envolto em intriga e suspeita? Uma coisa é certa: não há nada que faça certas pessoas deixar de conspirar na sombra…





Esta foi a minha última leitura completa de 2015. Foi o meu 52º livro, o que completou o desafio que me tinha proposto para este ano: ler um livro por semana.

Já tinha lido uma obra deste autor, “Os Pilares da Terra”, de que gostei bastante, e sabia que havia mais livros do escritor que não eram romances históricos. No entanto, nunca me tinha dado a curiosidade de ler mais nada dele. Até ir à Feira do Livro de Lisboa o ano passado, e ficar encantada com a sinopse. Só esperei tanto tempo para o ler porque tinha a sensação que seria daqueles que não dá para pousar, então teria que ser em período de férias.

Jean Ferrami é uma cientista especializada em genética, e dedica-se a estudar gémeos univitelinos, preferencialmente criados separados, de forma a determinar qual a “força” dos genes e da educação na personalidade de uma pessoa. A ação desenvolve-se em volta deste estudo, que subitamente se vê no centro de uma polémica na comunicação social. A par de tentar salvar a investigação pioneira que potencialmente lhe daria grande visibilidade no mundo da investigação, Jeannie está também empenhada em provar a inocência de Steve Logan, para quem todas as provas apontam como sendo o violador de Lisa, a sua colega de laboratório.

Achei o livro bastante acessível. Apesar de ser um livro com cerca de 650 páginas (edição de bolso, a normal tem 520) e ser uma leitura intensa, não é de todo cansativo. Normalmente tenho inícios de leitura muito lentos, mas neste caso fiquei presa desde o primeiro capítulo. A ação desenrola-se rapidamente, no espaço de uma semana, num acelerar constante que tornou muito difícil parar a leitura.

Tendo, no meu entender, dois ou três pontos menos positivos, realço apenas um deles para não revelar nenhum spoiler. Achei o terço final do livro demasiado previsível. Contudo, isso não fez com que tirasse menos prazer da leitura.

Tendo em conta tudo o que escrevi, e pelo facto de me ter feito ler quase compulsivamente, a minha classificação para este livro é: 

Bom Ano a todos, e que 2016 seja recheado de livros e desejos realizados!