terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Opinião - "Eleanor & Park", de Rainbow Rowell


Sinopse:


Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.

Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.



Opinião:


Devo começar por dizer que, sendo um livro extremamente comentado e promovido por tantas pessoas, foi inevitável posicionar Eleanor & Park naquele grupo de livros que já tinha a certeza que seria espetacular mesmo antes de o ler.
Uma capa subtil, mas que acaba por transmitir uma conexão silenciosa entre os personagens, uma sinopse promissora e uma autora cujo primeiro livro que li se tornou facilmente num dos meus favoritos… Não poderia estar mais preparada para começar a sentir todas as emoções e tornar-me parte do clube de fãs deste livro, o que infelizmente não aconteceu.
Eleanor, uma rapariga de 16 anos, é a filha mais velha de uma família problemática e após um longo período longe de casa volta a morar com os quatro irmãos, a mãe e o padrasto abusivo, ao qual a mãe é completamente submissa.
Já Park, um rapaz de 16 anos de descendência coreana, tem uma família bem estruturada e pais apaixonados, cuja relação ele almeja para si. Apesar das suas características diferenciadoras, Park procura passar despercebido e acaba também por ganhar uma certa imunidade a ameaças ou perturbação pelo facto de, desde criança, ser vizinho do bully do autocarro e por ter namorado, quando mais novo, com a rapariga mais popular da escola.
Quando Eleanor entra no autocarro escolar para o primeiro dia de aulas, encontra-se perante uma extensão da sua vida em casa quando as pessoas observam com reprovação a sua aparência contrastante de cabelo ruivo vivo, caracóis indomáveis e roupas masculinas incompatíveis. Ao procurar bancos vagos para se sentar, os olhares incriminadores passam a ignorar a presença de Eleanor, deixando-a à mercê da sua própria sorte na busca de um assento. Acontece que Park é o único que tem um lugar livre ao seu lado e apesar de não querer que Eleanor se aproxime, por achá-la esquisita e por saber que ela chamaria atenção para si, acaba por aceitar, contrariado, que ela se sente.


Ao início comecei por gostar muito do livro, achei Eleanor uma personagem bem caracterizada e forte, apesar da sua situação. Contudo, com o desenvolver da história, a verdade é que Eleanor revelou-se demasiado dramática e fiquei um pouco surpresa em relação a algumas das suas atitudes, sendo uma delas chamar Park de “estúpido miúdo asiático” tantas vezes que chegou a tornar-se desagradavelmente rude… Esperar-se-ia que uma rapariga com quem implicam tanto fosse um pouco menos preconceituosa e acho que isso prejudicou toda a imagem que tinha de Eleanor, pois a partir daí já não consegui identificar-me com ela. Além disso, creio que tudo era sempre convenientemente mau em excesso para Eleanor, pois por mais personagens que estivessem ao seu lado, personagens essas que numa situação de vida real em plenos anos 80 também estariam sujeitas a algum preconceito ou encontrariam alguns obstáculos ao longo do percurso escolar, aparentemente tinham um quotidiano tranquilíssimo e era apenas e exclusivamente a Eleanor que todos escolhiam incomodar.

Já em relação a Park aconteceu o contrário, comecei por achá-lo áspero demais, no entanto consegui desenvolver alguma empatia para com ele ao longo do livro, compreendendo a sua posição e as suas dúvidas, tanto por ser diferente, por querer continuar naquela linha entre o popular e o alvo de bullying e por não saber como começar a falar com Eleanor. Tal como acontece com muitas pessoas, Park tem uma vida considerada normal no seio de uma família feliz, contudo isso não significa que não tenha as suas próprias batalhas e anseios.

Considerando como se desenvolveu o romance, devo dizer que não me convenceu. Os personagens principais antipatizam-se, até que Park, na sua rotina de ignorar Eleanor e o mundo (autocarro) à sua volta, repara que a sua vizinha lê disfarçadamente as suas bandas desenhadas e decide emprestar-lhas. Eles mal se falam, praticamente não conhecem a história um do outro, não se chega a notar uma atração entre ambos, mas Park decide dar as mãos a Eleanor e dizer-lhe que a ama. Assim, surgem alguns clichês na história – como um não respirar na ausência do outro – o que não me incomodaria de todo, se o romance fosse credível!
Outro ponto menos positivo foi o facto de a autora ter abordado demasiados temas de uma só vez – amizade, família, solidão, exclusão, abandono, amor, raça, género – sendo que todos acabaram por ser mobilizados com alguma superficialidade. O padrasto é abusivo e basicamente ficamos por aqui, as amigas de Eleanor são negras, mas ninguém implica com elas e são citadas de uma maneira muito simplista, a mãe negligencia os filhos para não criar conflitos com o marido e não chegamos a ver essa questão verdadeiramente bem desenvolvida. Desta forma, é possível concluir que a maioria desses assuntos é mencionada e posteriormente abandonada como algo natural, não sendo possível identificar uma autêntica crítica a cada um deles.
Passando, finalmente, aos pontos positivos do livro, devo dizer que apreciei o facto de ser constituído por pontos de vista alternados, o que nos dá acesso aos pensamentos de ambos os personagens e nos permite conhecê-los melhor através das suas diferentes perspetivas. Também gostei muito da família de Park, pois retrata muito bem como as relações familiares não são isentas de alguns conflitos, mas que estes eventualmente são resolvidos devido ao amor ser superior a tudo o resto.



Ao contrário de várias pessoas, admito que adorei a forma como o livro acabou. Sim, é um final subjectivo que deixa algumas questões por esclarecer, mas questões que não haviam sido respondidas ao longo de todo o livro apesar das oportunidades que a autora teve de o fazer e que, portanto, também já não tinha a ilusão que fossem tratadas nas últimas páginas. Um final que não esperava e que finalmente me ofereceu algumas das coisas pelas quais esperava desde o início da leitura, originalidade e um derreter do coração.




Tendo em conta tudo o que referi, concluo que este é um livro que acabou por me desiludir em alguns aspectos, principalmente por se revelar muito semelhante a tantos outros do género, mas que nem por isso deixa de ser um livro relativamente bom, especialmente pela mensagem que transmite – não devemos limitar-nos a julgar as pessoas com base no seu exterior, mas antes procurar conhecer a sua essência, pois podemos descobrir nelas alguém que não sabíamos que se tornaria num grande amigo ou até, quem sabe, num verdadeiro amor.


Citação favorita:





Um ótimo ano novo cheio de boas leituras para todos! :)
















Fonte da sinopse: http://www.wook.pt/ficha/eleanor-park/a/id/16113063

4 comentários:

  1. Olá :)
    Uma pena que o livro não tenha lhe agradado tanto, eu sou apaixonada por essa história e realmente o desfecho dela não é um dos melhores pra mim, mas torna a trama mais crível.
    As ilustrações são lindas!

    Amei seu cantinho e estou seguindo ;)
    Beijos,
    http://livrosentretenimento.blogspot.com.br/

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  2. Olá! :)
    É verdade...mas fico muito contente por outras pessoas terem desfrutado mais da leitura! :)

    Muito obrigada, seguindo de volta!
    Beijos, Carolina.

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  3. Eu sou completamente fã desse livro, embora o final tenha dado cabo de mim!

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    1. Pois eu percebo o motivo! haha E ainda bem que gostaste! beijinhos :D

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