quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Update - 6ª, 7ª e 8ª Semanas da Maratona Literária de Verão

Nem dá para acreditar que já passaram dois meses desde o início da maratona!

O verão está a ir embora rápido demais, e com ele a nossa tão preciosa maratona. Estamos a gostar muito de participar nela, e embora não estejamos perto de a completar, divertimo-nos bastante a escolher livros para as categorias, a ler as atualizações dos outros participantes e tantas outras coisas maravilhosas que este projeto nos trouxe para além do incentivo à leitura.

As últimas semanas passaram a voar, e é tempo de atualizar o nosso progresso

Ana



Andava mortinha para ler a continuação de "O Espião Português" (não se notou naaada pela opinião que postei aqui no blog, verdade?) e quando vi o desafio 2) Ler um livro de um autor português, não hesitei a fazer a escolha.
Apesar de não ter gostado tanto como do primeiro, foi um livro que não me desiludiu. Continuei presa à história de tal modo que a minha irmã veio ter comigo às 3 da manhã, quase a cair de tanto sono, e eu de olho bem aberto a ler.
Escusado será dizer que agora preciso de ler o terceiro volume...


Este livro apareceu na minha vida como que por magia. Em conversa com uma pessoa querida, falei do projeto da maratona, e ela sugeriu-me (e amavelmente ainda me emprestou) este gorducho de mais de 800 páginas. Calhou muito bem, porque não fazia ideia do que iria ler para o desafio do romance histórico.
Apesar de ter gostado das personagens, da descrição da época e dos locais, não conseguia parar de pensar que os acontecimentos eram demasiado previsíveis. 


E para o desafio de ler um livro publicado no ano em que nasci, resolvi ver uma lista no Goodreads com livros publicados em 1995, e este foi o eleito.
Foi a surpresa mais agradável que tive neste maratona, apesar de não ter sido o livro de que mais gostei. Quando o comecei a ler, já não me lembrava da sinopse, e acho que isso me ajudou a não criar expetativas demasiado altas.
A certa altura dei conta que, tal como o Arthur (o agente negociador), estava a tentar adivinhar os pensamentos e ações do Lou (o líder do grupo que fez reféns). Recomendo vivamente este livro a quem se sentir minimamente interessado pelo tema.


Completei também o desafio "Ler um livro em que o nome do autor começa pela mesma inicial que o vosso". 
Não foi das minhas leituras preferidas. A sinopse induziu-me em erro, e a escrita não era para mim.

Total de páginas lidas: 5509



Carolina




“A Sangue Frio” apresenta-nos um romance jornalístico, ou seja, uma história de não-ficção após a análise minuciosa de mais de 8 mil páginas de documentos oficiais, recolha de depoimentos, cartas e diários relacionados com um caso verídico. Embora não tenha sido o primeiro livro desse género literário, foi o primeiro que causou um impacto tão grande pela sua temática e pela mestria da escrita de Capote.

Este é um livro tão notável quanto perturbante por vários motivos. Em primeiro lugar, o autor começa por descrever o ambiente e os moradores da pequena e pacata cidade de Holcomb e assim acabamos por descobrir como os habitantes, pessoas tão amigáveis, honestas e cumpridoras da lei, são afetadas pelo abalo do assassinato da família Clutter – cujos membros eram todos, sem exceção, respeitados e admirados por toda a comunidade. 
Como e acima de tudo porquê, pessoas tão generosas e simples, que também o leitor passa a estimar com o virar das páginas, são assassinadas a sangue frio num lugar onde as pessoas confiavam de tal forma umas nas outras que deixavam as suas portas permanentemente destrancadas? Ninguém conseguia compreender.

Em segundo lugar, à medida que começamos a conhecer os Clutter, Capote apresenta-nos dois sujeitos, Dick Hickock e Perry Smith, os autores dos homicídios. E aqui encontra-se o diferencial deste livro. Capote analisa a vida de Hickock e Smith de uma forma tão íntima que não há como não sentirmos certa empatia em relação a dois criminosos que, sinceramente, só desejávamos detestar. Houve momentos em que me vi a torcer pelos dois, outros em que senti pena de suas vidas desoladas ou até mesmo considerei as suas qualidades e isso é algo desconfortável de admitir, mas não deixa de ser verdade. O mais triste é quando nos apercebemos de que, se Perry tivesse seguido tal rumo ou Hickock outro, nada teria acontecido, pois apenas juntos, estes dois homens no fundo imaturos e fracos devido aos seus passados, se tornaram destrutivos.

Em terceiro e último lugar, a escrita é fascinante, pois sem ser excessivamente descritiva, é fluida e precisa. Conseguimos transportar-nos para os locais, sentir que conhecemos intimamente cada pessoa e é assim que se torna evidente que Capote deve ter respirado este caso, pois só com um mergulho em profundidade no tema e muita dedicação seria possível um livro deste nível.

Desafio - 4)Ler um livro que está há muito tempo na estante. 
Páginas lidas desde a atualização anterior: 184 (a leitura já havia sido então iniciada).
Classificação: 5 





Um grupo próximo de amigos decidem passar as férias da primavera numa ilha e, quando Elise é assassinada, a sua melhor amiga Anna encontra-se repentinamente incriminada e encarcerada.

O que realmente terá acontecido, estará algum dos amigos efetivamente relacionado com a morte, terá a justiça de um país que não o deles tentado incriminar um forasteiro? Com capítulos alternados entre o presente e flashbacks do passado, começamos a construir várias hipóteses e a encaixar as peças do puzzle que nos conduzirão à verdade.
Este é um livro relativamente pouco conhecido, pois não vejo muita gente a comentá-lo, no entanto recomendo imenso e acho que muitas pessoas desfrutariam desta leitura. Além de se ler bastante rápido pelo impulso de se querer saber o que aconteceu, é mesmo muito bem construído.

Tenho apenas duas coisas a apontar e por isso não dei 5 estrelas “redondinhas” – o final teve uma parte um pouco estranha que de início estranhei, mas apenas passados dias consegui entranhar (não entrarei em detalhes por ser spoiler, mas terei todo o prazer de comentar com quem tiver lido) e gostaria que o momento do homicídio nos tivesse sido descrito, uma vez que todo o livro girou à volta do mesmo. 

Desafio - 9) Reler um livro que não gostaste ou ler um livro de suspense/mistério. 
Páginas lidas desde a atualização anterior: 194 (a leitura já havia sido então iniciada)
Classificação: 4,7 ☆





Este livro é sobre Aaron, um rapaz de 16 anos que, após o suicídio do pai e a sua própria subsequente tentativa falhada de suicídio durante o luto, decide tentar encontrar a felicidade novamente, sendo que para isso considera recorrer a um revolucionário procedimento de alteração de memória chamado Leteo.

Gostei imenso desta leitura por não dourar a pílula, pois aqui podemos ler sobre a vida de um adolescente de maneira extremamente realista – o personagem principal comete erros, tem as suas dúvidas, fala palavrões, em dado momento pergunta-se como tem tanta sorte, noutro porque tem a vida tão miserável, encontra-se naquele limbo entre as brincadeiras de infância e a responsabilidade da vida adulta, entre outras coisas que depois poderão vir a descobrir. Além disso, o livro surpreendeu-me em vários momentos e, por esse motivo, recomendo que não leiam a sinopse porque acho que talvez entregue demasiado da história.


Em suma, More Happy Than Not aborda vários temas pesados com a devida atenção e transmite-nos uma mensagem bastante importante, no entanto achei que talvez o livro tenha sido demasiado pessimista. 

Desafio - 19)Ler um livro em que o nome do autor começa pela mesma inicial que o vosso, ou que o nome da personagem principal começa pela mesma inicial que o vosso. 
Páginas lidas: 293
Classificação: 4 ☆



Comecei o tão aclamado Wonder/Extraordinário com altas expectativas e estou a adorar, já prevejo que se torne num dos meus favoritos!

Desafio - 20)Ler um livro de capa dura. (Em andamento).
Páginas lidas: 96 (de 320).



Talvez seja este o livro que mais me esteja a surpreender nesta maratona por ser tão espirituoso e tão, mas tão bom! Lembro-me de percorrer a lista dos livros publicados no ano em que nasci no Goodreads, sendo que este foi o único que me despertou minimamente a atenção por já ter ouvido falar dele. Não estava particularmente entusiasmada ao começá-lo, mas isso mudou completamente à medida que avançava a leitura. 

Desafio- 22) Ler um livro escrito no ano em que nasceste (1995). (Em andamento).
Páginas lidas: 100 (de 334).

Total de páginas lidas: 2923 





E vocês, já leram algum dos livros que mencionámos? Se estão a participar da maratona, como vos está a correr? :) 

Beijinhos e boas leituras!

6 comentários:

  1. desses li dois :) o in cold blood e o high fidelity.

    o high fidelity é muito giro, possivelmente o melhor do nick hornby (tenho umas quantas reviews de livros dele no blog, embora não deste porque o li antes...). é bastante "leve" e interessante e o filme também é engraçado. é sem dúvida uma boa leitura, sem ser nada de transcendente.

    o in cold blood li há ainda mais tempo e lembro-me de ficar chocada e aterrorizada. sou um bocado impressionável e durante uns tempos depois de ter lido tinha medo que me entrassem por casa dentro e matassem, porque sou o tipo de pessoa que também nunca anda com dinheiro e há uns anos cheguei ao cúmulo de ir tomar café no mcdonalds porque me deixavam pagar 0,60€ com cartão. é também um livro que tem muito mais do que aquilo que é imediatamente visível: Truman capote tinha uma relação bastante pessoal com ambos os criminosos, sendo discutido que tivesse uma relação amorosa platónica com Perry. Senti-me incapaz de simpatizar com o Hickock porque ele tinha aparentemente tudo: era inteligente, tinha uma boa família, tinha sucesso no desporto e com mulheres, não tinha era o dinheiro para ir para a universidade e isso possivelmente arrasou-o. mesmo tendo alegado que não matou ninguém - o que é discutível -, a ideia de ele querer violar alguém e a pedofilia latente tornaram qualquer simpatia impossível para mim. o perry é um caso diferente, mas fiquei com a impressão que truman o queria escrever como um indivíduo mais "gostável" do que realmente era. fiquei com pena da vida dele e das éticas distorcidas dele, achei interessante que ele quisesse que os Clutters estivessem confortáveis mesmo estando amarrados. senti empatia até ele cortar uma garganta do nada. achei o julgamento injusto mas percebo que não quisessem escapar os criminosos. embora as circunstâncias trágicas das vidas de ambos fossem apresentadas de forma a sentirmos empatia, a verdade é que somos todos capazes de ir além das circunstâncias - nada nos força a matar ninguém, nós escolhemos ser assassinos.

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    1. Olá! :D

      Estou curiosa para assistir o filme, o livro é mesmo leve e estou a achar muito interessante por também ser o meu primeiro "Dude Lit". Há passagens muito engraçadas, outras um tanto quanto profundas e é, digamos, refrescante ler do ponto de vista de um personagem do sexo masculino tão sagaz como o Rob.

      Quanto a In Cold Blood concordo com tudo o que disseste e adorei essa tua história haha! Eu gostava dos dois no início, a verdade é que no meu íntimo torcia para que as coisas lhes corresse bem e nem sei bem o motivo, acho que por estarem a ser descritos como dois cidadãos normais, no entanto à medida que vamos descobrindo como tudo aconteceu (até mesmo antes, quando o cãozinho é atropelado) essa aparente simpatia pelo Hickock se tornou em raiva e repulsa. Em relação ao Perry fiquei surpreendida e até mesmo desiludida quando descobri que ele tinha tido o papel mais ativo no assassinato. Não compreendia muito bem o porquê dele ter agido daquela forma, achava muito incoerente essa atitude quando comparada com a sensibilidade que havia demonstrado em outros momentos e o que me fez de certa forma acordar completamente foi quando Perry disse que não sentia nada em relação aos Clutter, que já nem sequer pensava nisso. A proximidade da relação do autor com os criminosos é bastante percetível pela forma complexa como são apresentados e embora haja essa suspeita de Capote se ter sentido mais 'cativado' por Perry - algo talvez inevitável para o autor após tanto convívio - acho que essa convivência com ambos só beneficiou o livro. :)

      Beijinhos ;*

      Carolina

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  2. Já viste o filme do "High Fidelity" com o John Cusack? :)

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    1. Olá Dora! :D
      Ainda não, mas quero muito ver após a leitura do livro! Acho que será interessante fazer a comparação.
      Já viste? :o

      Beijinhos ;*
      Carolina

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    2. Algumas vezes :) Tenho o dvd há muitos anos.

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