sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Opinião - "Perguntem a Sarah Gross", de João Pinto Coelho







Autor: João Pinto CoelhoEditor: Dom QuixoteISBN9789722057103Edição ou reimpressãoPáginas448EncadernaçãoCapa mole















Sinopse

Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador. 

Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.


Opinião

Para dizer a verdade nem liguei à sinopse do livro. Foi de tanto ouvir falar bem dele que o decidi ler, e, apesar de não ser ler muitos livros sobre este tema, sinto-me verdadeiramente feliz por o ter feito. 
Achei o início um pouco lento, sendo que só a cerca de metade do livro me senti verdadeiramente envolvida na história. No entanto, mesmo durante a parte lenta, adorei a forma como o autor descreve os locais, principalmente a Polónia. 
A partir de um certo acontecimento tudo se desenvolve de uma forma que me deixou colada às páginas, a querer respostas, mas ao mesmo tempo horrorizada com elas. E no final, quando achava que já nada me tinha recomposto das emoções, há uma revelação tão inesperada que fiquei de coração pequenino.
Este livro belíssimo retrata tantos "podres" da sociedade de uma forma tão inteligente e bem interligada que quase nem damos pela presença de todos eles. 

Foi uma leitura revoltante. Fiquei muito tempo a pensar em como terão as pessoas arranjado vontade para sobreviver em condições tão degradantes como as dos campos de extermínio. Quem me dera poder ouvir a história de cada um deles, se essas pessoas decidissem que a queriam partilhar. Porque não podemos nunca deixar que o holocausto se torne uma memória apagada, nem permitir que tal barbaridade volte a existir. 

No dia a seguir a acabar de ler este livro perguntaram-me se ele era bom, se valia a pena ler. Não consegui responder logo, nem consegui fazê-lo sem me virem lágrimas aos olhos. É muito bom, nem sequer o consigo recomendar suficientemente bem.



Não sei se o autor alguma vez vai ler isto, mas tenho umas palavras para ele. Antes de mais um grande agradecimento por ter escrito esta obra maravilhosa. E um obrigado também por ter sido tão acessível e simpático na Feira do Livro (eu prometi-lhe que iria dar a minha opinião, e cá está ela). E quero que saiba que se voltar a publicar, tem pelo menos uma leitora garantida.


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